sexta-feira, setembro 26, 2003

já passou, já passou, já passou, já passou

meu último momento de glória
pode ser este, ou este, ou este, ou este
...
socorro!
não consigo aguentar
o tempo está passando
passando, passando, passando, passando
...
alguém me ajude
tenho pressa de fazer o tempo parar
pra onde vou?
pra onde estão me levando?
mas eu...

o que é isso acontecendo comigo?
estas palavras, estes projetos
onde foi que eu me escondi?
...
olha só, está anoitecendo
...
por que tantos problemas?
antes era tão fácil
eu só queria ser feliz
agora também, eu sei
mas antes, eu só queria ser feliz

sexta-feira, setembro 12, 2003

com ciência

sentados sobre montanhas de arrogância
criadas página por página
permanecem inalcansáveis os detentores do saber
estáticos frente aos que se movem
e tentam, em vão, a aproximação
que não há, pois a ciência é impopular
intolerante e estúpida
faz das pessoas objeto e complica tudo
para que jamais seja compreendida
pelo mortal mais próximo da sua rua
assegurando, assim, o isolamento necessário
para sua perpetuação
para sua alienação
...
medíocres, sabem tudo sobre nada
e põe-se sobre pedestais
nos altares paritculares
e ultraespecíficos que criaram para si
...
distanciamento e rigidez
tornam vagas suas palavras
não mais que alimento para auto-estimas sempre famintas


quarta-feira, setembro 10, 2003

combustível

sinto a fúria
o ódio, e o desejo
amo o que sinto
e desta vez não estou bêbado
gosto de querer
sem importar o conseguir
luta pela luta
por não aceitar ficar olhando
sorrio quando lembro
do que penso, do que vivo
da tragédia que é estar sozinho
mas amo
e forte fico ao lembrar disso
de tudo o que posso
nada ficará perdido
nem uma palavra não dita
nem um beijo ignorado
brincadeira de mal gosto ter nascido
agora resisto
e faço do mundo meu quintal
tiro o prazer e a tristeza
da mesma fonte que não seca
só há uma vida
que é meu brinquedo
e é assim que eu continuo
sei lá pra onde...
... é o meu caminho
0101012001101

pra que razão?
se não for para servir
aos sentimentos
às vontades
não, não, não
não vou me segurar
sinto, logo grito
a vida passa em vão
quando usada com razão
erro, o preço que prago
não ligo, sinto-me até bem
só não quero que falem
que não faço
que não tento
Basta!

com um grito
acordo
e declaro inaceitável o alcançável
e pronto
não há mais o que dizer
...