Espaço! Espaço! Preciso de Espaço!
Não! Não se aproxime! Estou bem aqui. Se você quer me ver destruído, chege bem perto. Aproxime-se até o ponto em que eu não consiga mais me mexer. Fique tão próximo e você encontrará alguém cerrado, preso, limitado, derrotado. Eu preciso respirar, mais do que isso, eu preciso me locomover, preciso manobrar. Não quero jamais ser definido, embalado, lacrado e concluído. E é isso que você fará se chegar muito próximo a mim. Tentarei me mexer, mas não conseguirei, você estará no meu caminho, na minha frente. A consequência será inevitável. Haverá o choque. E do choque, ninguém sai impune. Ambos sairemos feridos. E isso não é o melhor que podemos dar para nossas vidas. Eu preciso! Eu preciso! Preciso manobrar. Sempre precisarei. Não quero jamais permanecer estático, desejo sempre mudar. E para poder realizar estas mudanças eu preciso ter área para manobrar sem esbarrar em ninguém. Não quero em minhas manobras atropelar ninguém, passar por cima de sentimentos ou esperanças. Não! Eu não quero! Portanto, entenda, não tente andar na minha sombra, e jamais tente ser quem sou. Eu sei o que acontece. Eu não gosto do que acontece. Eu peço, por favor, dois passos de distância. Saiba, também, que esses dois passos não são só a distância entre você e eu. São também a distância entre eu e você. E eu jamais irei querer violar esse espaço. Considero sagrada a individualidade. Um metro meu, um metro seu. É o suficiente. Não precisa ficar mais longe que isso - seria exponencialmente pior, o isolamento.
Depois disso tudo eu queria ainda pedir pra você saber reconhecer o momento em que eu te chamar pra diminuir esse espaço e passar a caminhar junto comigo. Mas não sei porquê, me parece que seria pedir demais...
ps.: por favor não pense que o você desse texto é você, pois na verdade você é você e você não é ninguém
quarta-feira, janeiro 08, 2003
A dor de quem deseja
de perto, olho, analiso, escuto
os sons produzidos pelo silencio me enlouquecem
e as palavras que passam pela minha cabeça
nada deixam
só confusão e agonia
e incertezas que me bastam
tudo o que meus ouvidos ouvem
parecem ruídos pesados que me explodem
a cabeça que já não consegue pensar
os olhos cansados, perdidos
procuram, o que, já não se sabe
apenas olham
apenas fogem
tudo o que desejo
é o fim, o fim dos desejos
nada, nada do que consigo
me faz deixar de querer
de perto, olho, analiso, escuto
os sons produzidos pelo silencio me enlouquecem
e as palavras que passam pela minha cabeça
nada deixam
só confusão e agonia
e incertezas que me bastam
tudo o que meus ouvidos ouvem
parecem ruídos pesados que me explodem
a cabeça que já não consegue pensar
os olhos cansados, perdidos
procuram, o que, já não se sabe
apenas olham
apenas fogem
tudo o que desejo
é o fim, o fim dos desejos
nada, nada do que consigo
me faz deixar de querer
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