Aos que observam, e apenas observam. Aos que não desejam. Aos que não sonham.
duvidam todos de mim
das minhas palavras,
minha coragem
meus sonhos
acham-me fraco
e meus ideais, distantes
dizem-me tolo, ingênuo
mas não me dizem
por piedade ou falta de coragem
- deles -
calam-se e me ouvem
mas não creêm no que digo
e afirmam para si
que nada disso posso
esperam ansiosos pelo meu fracasso
desconsideram minhas palavras
pouco me importa
nada lhes tenho a dizer
pensem o que quiserem
e esperem o que puderem
- o que sua brutalidade permitir -
de mim nada terão
nem meu sorriso, nem minha lágrima
se não são válidos
pra vocês, meus valores
melhor esquecer
me deixar viver
se me duvidam
me desrespeitam
de piedade já tenho bastante
não creiam no que digo
se não quiserem, mas não esperem
pela vitória ou pela derrota
acham-me incapaz
mas nada lhes mostrarei
apenas lamento
a pobreza de suas almas
o vazio de suas vidas
domingo, agosto 03, 2003
Pedra
Depois de bater com a cara na parede e quebrar todos os ossos do corpo tentando atingir algo que não conhece mas chama de felicidade você começa a se questionar. Tão cansado te deixou ver repetidos o mesmo drama inúmeras vezes durante sua única vida. Você começa a acreditar fielmente que deve mudar e que o mundo não tem lugar para você, como é. Lentamente você vai deixar pra trás toda sua essencia que absurdamente passou a chamar de radicalismo. Vai passar a aceitar falsas premissas como se fossem inquestionáveis. Vai acreditar estar ficando tolerante ao já não se importar em ver e algumas vezes até participar daquilo que outrora fora seu absurdo. Como uma pedra, vai se lixar e polir, cortar as arestas e as irregularidades. Não para se tornar uma bela obra de arte com personalidade e vida própria feita para ser admirada. Você vai se tornar uma pedra modelada com um unico objetivo: facilitar seu encaixe no mecanismo maior. Agora já com o tamanho e o formato certos, você poderá se encaixar com suavidade em espaços que antes eram pequenos demais para você. E você vai gostar de estar encaixado, limitado por todos os lados, sem mobilidade. Vai gostar de não ter mais os choques que tinha enquanto vagava sem rumo pelo espaço não preenchido. Comemorará até o momento em que perceber que esse formato não é seu, e que sua natureza é outra. Tentará desesperadamente se desencaixar e voltar a ser o errante que sempre foi - e que sempre lhe causou tanta dor. Talvez consiga voltar a ser a pedra sem rumo que sempre foi. Mas decobrirá que jamais terá devolta seu formato natural. Procurará loucamente encontrar seus pedaços deixados pra trás. Encontrará pedaços de si espalhados pelo chão e pelo ar. Será impossível reconstituir-se. Seus pedaços deixados pra trás serão apenas poeira. Mergulhado numa tristeza que nunca sentira, recolherá o que você arrancou de si acreditando estar crescendo. Você colocará seu pó em pequenos sacos e os colocará na cintura para ao menos carregar-se por completo e não esquecer do que fez. Torça para que isso não se torne algo repetitivo, senão chegará o dia em que você vai se encontrar completamente dissolvido em pó e já não haverá mais quem o carregue. O vento soprará e te espalhará para o mundo que imediatamente te absorverá.
Depois de bater com a cara na parede e quebrar todos os ossos do corpo tentando atingir algo que não conhece mas chama de felicidade você começa a se questionar. Tão cansado te deixou ver repetidos o mesmo drama inúmeras vezes durante sua única vida. Você começa a acreditar fielmente que deve mudar e que o mundo não tem lugar para você, como é. Lentamente você vai deixar pra trás toda sua essencia que absurdamente passou a chamar de radicalismo. Vai passar a aceitar falsas premissas como se fossem inquestionáveis. Vai acreditar estar ficando tolerante ao já não se importar em ver e algumas vezes até participar daquilo que outrora fora seu absurdo. Como uma pedra, vai se lixar e polir, cortar as arestas e as irregularidades. Não para se tornar uma bela obra de arte com personalidade e vida própria feita para ser admirada. Você vai se tornar uma pedra modelada com um unico objetivo: facilitar seu encaixe no mecanismo maior. Agora já com o tamanho e o formato certos, você poderá se encaixar com suavidade em espaços que antes eram pequenos demais para você. E você vai gostar de estar encaixado, limitado por todos os lados, sem mobilidade. Vai gostar de não ter mais os choques que tinha enquanto vagava sem rumo pelo espaço não preenchido. Comemorará até o momento em que perceber que esse formato não é seu, e que sua natureza é outra. Tentará desesperadamente se desencaixar e voltar a ser o errante que sempre foi - e que sempre lhe causou tanta dor. Talvez consiga voltar a ser a pedra sem rumo que sempre foi. Mas decobrirá que jamais terá devolta seu formato natural. Procurará loucamente encontrar seus pedaços deixados pra trás. Encontrará pedaços de si espalhados pelo chão e pelo ar. Será impossível reconstituir-se. Seus pedaços deixados pra trás serão apenas poeira. Mergulhado numa tristeza que nunca sentira, recolherá o que você arrancou de si acreditando estar crescendo. Você colocará seu pó em pequenos sacos e os colocará na cintura para ao menos carregar-se por completo e não esquecer do que fez. Torça para que isso não se torne algo repetitivo, senão chegará o dia em que você vai se encontrar completamente dissolvido em pó e já não haverá mais quem o carregue. O vento soprará e te espalhará para o mundo que imediatamente te absorverá.
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